A primeira

A primeira é sempre difícil. A primeira vez, a primeira aula, o primeiro artigo, o primeiro dia de trabalho, o primeiro post.

A primeira vez que peguei estrada de moto, também foi difícil. Achei que ia morrer. Eu já andava de moto pela cidade há mais de um ano, e já estava bem confortável com a minha prática urbana. Mas enfrentar a estrada, significaria andar a 100 km/h, 110 km/h de maneira constante, além de dividir espaço com carros, caminhões além de mais instabilidade pelo vento e consequências muito mais sérias se houvesse um acidente.

A coragem veio da junção entre o desejo e a necessidade. Andar de moto numa rodovia, pra mim, significava um importante marco de liberdade – vento no rosto, ousadia pra arriscar. Mas de maneira prática, esse desejo por essa sensação tão específica de liberdade só se realizou quando a necessidade bateu: eu precisava estar na aula da pós-graduação, e meu filho precisava ir na fonoaudióloga.

O primeiro post também vem da união entre desejo e necessidade: o desejo de fazer um contraponto aos formatos cada vez mais apressados de entretenimento online, somado à necessidade de autoexpressão e afirmação de si mesma. Uma afirmação que também é desejante, especialmente quando responde a uma necessidade de conseguir estar no presente, entendendo que a pessoa que sou hoje, não fui ontem e não serei amanhã. Mas sou eu, hoje.

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