(…) escrevo conforme meu humor

Minha cabeça gira. Não gira, mas corre entre pensamentos e sentimentos que me distraem profundamente. Estou sentada numa aula de Direito Processual Civil, mas sigo sem a menor capacidade de prestar atenção. Não hoje. Não agora.

Terminei de ler o livro “Eu só existo no olhar do outro?” do Christian Dunker e da Ana Suy. Acho que entendi apenas um terço do texto – boa parte das referências no diálogo ente os dois psicanalistas me escapou. De qualquer maneira, terminei de ler. E senti atravessamento de várias partes. E isso me desorganizou um tanto. Um tempo. De uma maneira que me deixa em estado de suspensão. Especialmente hoje, que decidi não voltar pra casa para jantar,  tive um tempo livre entre o trabalho e a faculdade. Nesse intervalo, me perdi.

Ultimamente tenho refletido sobre a escrita. Tenho a sensação que conseguirei me realizar através da escrita, descobrindo partes do próprio discurso sobre mim mesma que me escapam no simples exercício de reflexão pensada. Porque a escrita é expressão e explicação do discurso interno. Mesmo que controlada. Diferentemente da fala, que segue solta sem poder de edição.

Para falar, é preciso um outro. Ainda que esse outro seja eu mesma, a fala também esbarra no processo físico de expressão. É preciso me esforçar para falar. Elaborar meus sentimentos pela fala nunca foi fácil.

A escrita é diferente. Já escrevo há alguns anos, o suficiente para diminuir minhas reservas sobre meu discurso e me dar uma certa prerrogativa de escrever sem me amarrar tanto, nem à forma, nem ao conteúdo. Mas a escrita ainda permite ponderação. Ainda permite apagar, refazer, reformular, reavaliar. Escrever é se expressar meio solta, meio reformulada.

Apesar de não ter muito interesse em reformular a minha escrita. Também porque são nas entrelinhas tortas que minha humanidade se exprime – e me diferencia de uma inteligência artificial generativa que poderia reescrever esse mesmo texto de uma maneira mais objetiva, mais prolixa, em forma de prosa ou de poesia, como uma música de rap ou um hit de piseiro. Mas também porque o objetivo da minha escrita é conhecer aqueles processos que são opacos à minha autopercepção.

É como se eu pudesse me conhecer quando escrevo. E só quando escrevo, pois são raras as vezes que suporto me ler. Mas quando escrevo, percebo como formulo em palavras o que penso. Pois tenho a ideia que penso com palavras, mas não. Percebo que penso com ideias que se relacionam, que nem sempre tomam a forma de palavras.

Tomar a forma das palavras exige um tempo e um espaço que força os pensamentos desacelerarem. Força tomar o tempo das palavras, da escrita. E, por mais rápido que eu possa escrever, esse tempo ainda é significativamente maior do que o pensamento. Mas é por tomar esse tempo, esse esforço de materialização, é que a escrita tem sentido: ela desacelera, mas também sedimenta. Ela traz para o concreto algo que se ficasse na forma amorfa dos pensamentos, me escaparia por completo. 

A fala nem sempre fica. A fala também escapa. Ela exige um esforço diferente e entrega algo diferente (ou tira algo diferente). Ela transforma apenas por existir no momento que é falada. Às vezes, essa transformação é suficiente para gerar algum efeito adicional. Mas, geralmente, o resultado da fala vem do próprio esforço de produzi-la.

A escrita fica. Como Joan Didion falou certa vez uma entrevista, num contexto de escrita de diário, não escrevo como fonte de consulta histórica, mas “conforme meu humor”. Assim, minha produção escrita está longe de representar a realidade fática. Mas também não tenho interesse na realidade fática. Me interesso pela percepção o que sinto o que acontece. O que acontece fora, mas principalmente o que acontece dentro de mim. E o que acontece dentro sempre toma caminhos intensos e dramáticos, que muitas vezes não têm razão de ser. Mas essa é a parte interessante dos sentimentos: eles existem, sem precisar razão de existir. Eles existem, e pronto. E a escrita os cristaliza – seja para processá-los, seja para expurgá-los, seja para dar certa transparência para o que seria apenas um objeto opaco, guardado aos cuidados do inconsciente.

Planejar e continuar planejando

Eu amo planejar. Eu amo tudo o que envolve o planejamento. Pensar nos objetivos, nas necessidades, nas etapas. Abrir o calendário, ver datas, possibilidades, o que vai ser exequível e o que vai ter que ser deixado pra trás, como um sonho de uma noite de verão.

Gosto de personalizar o processo. Gosto de entender que cada objetivo, objeto ou projeto tem sua própria dinâmica, e que precisa, talvez, de um método diferente de planejamento.

Gosto de formalizar tudo isso num documento visualmente agradável, funcional. Que não demande tempo demais para ser atualizado, mas que ainda marque o progresso feito.

Não importa o meio: digital ou analógico, notion, google calendar, miro, uma apresentação em ppt, uma tabela de excel, um caderno ou uma cartolina. Tudo depende do que faz mais sentido.

Eu realmente amo todos os aspectos do planejamento. Curiosamente, a minha tragédia é a execução.

Ter que dar os primeiros passos, cumprir as tarefas cuidadosamente pensadas para serem executadas num prazo determinado (com óbvio espaço para acomodar imprevistos e atrasos), prazo atrás de prazo. A execução é uma tragédia.

O que me interessa no planejamento – além da minha predileção por papelaria, cadernos e canetas – é a ideação. No planejamento, tudo é da ordem das ideias, e eu consigo fazer o que mais gosto: pensar.

No planejamento tudo é possível, e minhas ideias encontram o máximo de concretude que elas aceitam. Uma ideia abstrata (como a entrega de um projeto de pesquisa, por exemplo) vai se tornando palpável, com a fragmentação de tarefas, etapas e prazos. O que fazer, quando fazer, para que aquele projeto seja entregue no prazo combinado. Algo completamente ideal, ganha numa abstração de grau menor, alguma concretude. A concretude do papel, da escrita, da definição.

Aquela ideia amorfa ganha contorno, ganha corpo. Mas veja, ainda é um corpo etéreo, um corpo não-corpo, porque ainda permanece no campo das ideias. É uma auto-realização, sem o comprometimento com um status final de concretude que a execução exige.

Planejar é bom, é bonito: fica nas ideias sem a feiúra da concretude áspera da execução, onde o que é executado não se iguala ao que foi planejado.

Executar também é fracassar. É aceitar que as suas capacidades são limitadas, e que nem tudo é possível. O que foi possível não é nem tão grandioso, nem tão gostoso como o que foi planejado.

Mas engrandecer o planejamento e denunciar a feiúra da execução posa um problema fundamental: as coisas acontecem, são sentidas, cheiradas, pegadas, invertidas, destruídas e reconstruídas na execução. As coisas – e a vida, consequentemente – só existem durante e após a execução. As ideias não existem concretamente. As ideias produzem efeitos, as ideias condicionam a execução, as ideias satisfazem um desejo de controle e imaginação. Mas as ideias ainda são só o que podem ser: ideações da realidade.

E ao fim e ao cabo, as ideias precisam da concretude da execução para se criarem em novas realidades, novas possibilidades e novas ideias. A execução também se faz necessária para as ideias.

Talvez o planejamento seja essa tentativa de ponte entre as ideias e a execução. Talvez o planejamento seja uma ideia de execução que eu consigo sustentar sem sofrer, sem me comprometer. Sem encarar os meus limites de executar – sem feiúra, sem concretude.

A feiúra da concretude vem dos limites do executor. Dos meus limites de execução. As ideias também têm seus limites. Mas os da execução são muito maiores. Meu desencontro com a execução, então, é um desencontro com os meus limites. Reconhecer as falhas da execução significa reconhecer até onde eu consigo ir. Até onde eu dou conta de ir. E minhas ideias sempre chegaram mais longe do que minhas execuções.

Se haver com os próprios limites é difícil, pois é necessário se haver com a sua humanidade. Pra mim, significa pôr à prova minhas capacidades, mostrar quem eu sou e como eu sou. Significa dizer: eu venho até aqui, é isso que eu consigo fazer.

E em seguida, olhar para o que fiz e questionar: está bom o suficiente? O que eu dei conta de fazer, foi suficiente? Foi mais que suficiente, foi bom? Eu sou suficiente? Eu sou boa?

Se haver com a pópria humanidade significa também reconhecer que essas são perguntas inócuas, sem sentido real – uma vez que a própria humanidade é inerentemente suficiente. Porque quando se fala de humanidade, não se fala de suficiência, se fala de possibilidade. E todas as possibilidades são suficientes, todas as possibilidades são existíveis.

A dicotomia entre planejar e executar desemboca, então, no ser, no existir e no desejar. Planejar é desejar, executar é obter: obter a concretude da própria humanidade.

contornos e limites

Já falei algumas vezes na terapia sobre os contornos da subjetividade do indivíduo. De maneira específica, sobre os contornos da minha própria subjetividade. Como eu defino, descrevo, enxergo, delimito a minha subjetividade?

Desde o início do ano eu fui investigar de maneira objetiva se eu tinha uma neurodivergência. Se, essencialmente, meu cérebro processava a realidade de uma maneira não neurotípica. Depois de alguns testes que se assemelhavam a um ratinho procurando comida um labirinto, eu recebi um laudo que dizia exatamente o que eu suspeitava ser: neurodivergente.

Foi um relatório de mais ou menos 20 páginas, e é claro que ele me dizia mais do que isso. Era um laudo que mapeava todo o meu funcionamento cognitivo. Ali eu vi refletidos alguns anos de descobertas construídas na terapia. Foi um sentimento muito curioso, com quase nenhuma ação prática: eu dei um nome para algumas coisas, mas as coisas continuam ali como sempre estiveram, e eu tenho que lidar com elas da mesma maneira que sempre lidei.

Mas na verdade essa é uma grande falácia, não é? Não há a menor possibilidade de ser a mesma coisa. E não há a menor possibilidade de eu lidar com as coisas da mesma maneira. Primeiro, porque as coisas mudam o tempo todo. O tempo todo. Segundo, porque, como eu bem aprendi nesses anos de terapia, a forma como você elabora as coisas com a sua linguagem altera a sua percepção sobre essa coisa.

Me reconhecer como neurodivergente, com o passar do tempo, foi como um abraço: eu não era estranha, chata, inconveniente. Eu só sou diferente. E reconhecer essa diferença me trouxe mais pertencimento do que apartamento.

Entender a minha neurodivergência me permite dar mais voz e importância para os meus sentimentos, sensações, vontades e pensamentos. Me dá uma leve ideia de como é não questionar a minha adequação o tempo todo.

Entender a minha neurodivergência me permite reconhecer novos contornos. Me permite dar mais voz a mim mesma. Parte de mim se sente desolada por ter que ter tido um laudo pra isso – para que eu me permitisse ter alguma voz. Mas ao mesmo tempo penso que sou apenas uma mulher latinoamericana, ou como eu repito pra mim mesma o tempo todo: hei de reconhecer que sou apenas uma mulher do meu tempo, com todas as suas capacidades e limitações.

Mas dar mais voz a mim mesma não significa dar voz a mim mesma sempre. Longe disso. Eu inclusive me surpreendo sempre quando consigo reconhecer as pequenas-grandes coisas que me atravessam.

Essas descobertas foram o que me trouxeram para esse texto. Venho me descobrindo uma pessoa com várias rigidezes que eu acomodo diariamente, sem validá-las, dando outros nomes que deixem o desconforto mais socialmente palatável: “ah, é que eu sou fresca com comida mesmo” (quando na verdade o cheiro do lugar que ficou impregnado na minha roupa me perturbou a tarde inteira, provocando um sentimento de agonia que só iria passar depois de um banho); “eu sou teimosa” (quando na verdade eu não via nenhum motivo para concordar com você, já que seu argumento era fraco e não se sustentava, ou você não soube me explicar porque ele era mais sólido que o meu);  “Ih, não é nada… Todo mundo erra, agora é bola pra frente” (quando eu não conseguia aceitar uma conduta moral ou eticamente duvidosa que eu fiz, e estava completamente focada e não conseguia abstrair do valor pretensamente ofendido, mas a pessoa não entendia ou não queria mais falar sobre aquilo).

Mas, contornar o desconforto para não incomodar o meu entorno, não anula o desconforto interno – como sempre achei que fosse possível, como se aquele desconforto fosse minimizado, ele desapareceria de dentro de mim.

Ledo engano. O desconforto não sentido, não anunciado, não denunciado, não autorizado, faz o que consegue fazer: desorganiza. Se ele não cabe aqui, onde cabe? O que é aqui, então? O que cabe aqui?

No acúmulo de desconfortos, no acúmulo de desautorizações de existência, os contornos se desfazem. E a desorganização se instala de um jeito que desconforta completamente.

Aprendi que uma das características minhas que posso atribuir à minha neurodivergência é a intensidade emocional (que eu sempre dei conta de modular externamente para não causar aborrecimentos desnecessários a terceiros; *coloca a máscara de palhaça*).

A intensidade emocional faz com que essa desorganização seja praticamente onipresente e, de repente, todas as suas escolhas são questionadas, e suas ações ficam suspensas. Você entra num estado de sobrevivência funcional onde todas as suas energias são alocadas para você funcionar minimamente, e performar as atividades estritamente necessárias: comer, trabalhar, cuidar dos filhos e cachorros.

Mas a vida objetiva que segue esconde uma vida subjetiva que fervilha, que consome. Uma subjetividade em efervescência que soa muito melhor do que faz sentir. E no desespero por contornos, várias artimanhas podem ser empregadas: comida, sexo, sono, carência, compras. Qualquer coisa que dê limites para esse ser que transborda.

No fim, essa desorganização se transforma em reorganização – nem sempre melhor do que a anterior, nem sempre mais organizada ou esclarecida. Mas o estado de desorganização é tão incômodo, que qualquer que seja a organização posterior, ela será menos sofrível que a suspensão.

A organização, desorganização e reorganização sempre acontecem. É quase que um processo cíclico que se repete enquanto formos capazes de perceber a nossa existência. Mas nunca ocorre da mesma maneira, e sempre resulta em algo diferente. Talvez melhor do que um círculo, a imagem seja a de uma espiral, que altera o seu raio de acordo com as possibilidades – de sentir, de perceber, de elaborar.

Confiar no próprio cérebro

O último post foi em janeiro. Sim, eu sei. Não, não vou me explicar sobre isso.

Inclusive, eu estava pensando esses dias sobre confiar no próprio cérebro. Eu entrei numa fase de Alanis Morissette faz algumas boas semanas. Completamente obcecada por duas músicas em específico: You oughta know e Ironic. Eu certamente fiquei obcecada por aprender a letra pra conseguir cantar junto (agora estou levemente assim com La solitudine, da Laura Pausini. Alô Terra Nostra!).

Mas tem uma parte da música, especialmente da You oughta know, que eu – por mais que soubesse racionalmente a letra – não cosneguia encaixar as palavras no ritmo:

(…) and the love that you gave that we made wasn’t able to make it enough for you to be open wide, noooo / and every time you speak her name does she know how you told me you would hold me until you died? ‘Til you died, but you’re still alive (…)

Era absolutamente impossível. Depois de um tempo, eu acertava uma vez ou outra. Mas na maioria das vezes era simplesmente impossível.

Eventualmente, eu fui superando. Abrindo mão, começando a me fixar em outras coisas. Até que esses dias eu estava cantando ela despretensiosamente, e saiu. E de novo. E de novo. Minha boca só acompanhou meu cérebro. E eu cantei. No ritmo.

Eu achei – por falta de palavra melhor, apesar da repetição textual – absolutamente incrivel. Meu cérebro resolveu meu problema. De maneira autônoma.

Será possível, meu cérebro resolver problemas de maneira não consciente? Será que o que eu preciso é confiar mais no meu cérebro? Confiar que ele vai dar conta de pensar e resolver coisas, ainda que eu não fique completamente obcecada, pensando nelas de maneira consciente o tempo todo?

Será essa uma maneira de ele me dizer que eu preciso abrir mão de tentar achar uma saída racionalmente forçada pra tudo? Será que eu preciso pensar o tempo todo? Será que meu cérebro é capaz de cuidar de mim?

Claro que há um certo nível de despersonalização nesse raciocínio – já que eu tento separar meu cérebro de mim mesma, e tento entender que ele e eu somos dois entes diferentes que habitam o mesmo corpo – que inclusive aparece agora como uma terceira entidade.

E que essa despersonalização é falsa, ou no mínimo, fantasiosa, já que eu sou todas essas coisas juntas: a minha identidade, personalidade, consciência; meu cérebro e meu corpo.

Mas para fins didáticos, para mim mesma, eu vou permitir essa dissociação e viver com ela. E tentar não obcecar sobre ela a partir do meu fluxo de consciência. É possível? You oughta know.

59 abas abertas: Bate forte o tambor, eu quero tic tic tic tic tac

Banda Carrapicho. Fonte LastFm.

Recentemente eu descobri que nem todo mundo tem um diálogo interno contínuo na própria cabeça. Algumas almas abençoadas, quando não estão lendo, conversando ou pensando voluntariamente sobre alguma coisa, têm um silêncio interno que os permite apenas viver. Como vi em um reels essa semana – essas almas não têm 59 abas abertas do Youtube tocando ao mesmo tempo sobre assuntos diferentes o tempo todo, num monólogo constante.

Minha cabeça ansiosa parametriza a realidade de uma maneira ansiosa. Não é um sintoma fruto de uma causa profunda, mas um modo de experimentar a vida.

Há algum tempo, eu e minha psiquiatra decidimos que eu devia experimentar um ansiolítico. Fomos ajustando a dose até que as abas (pelo menos a maioria delas) fecharam. Poderia ter sido ótimo. Mas na verdade, me senti péssima. A dose do ansiolítico que fazia o monólogo interno cessar, era uma dose que me deixava letárgica, com sono, sem conseguir articular ideias e pensamentos como antes eu era capaz. Apesar disso, foi nessa época que eu consegui sentar na garagem da minha casa, e apenas observar a chuva cair.

Depois dessa experiência acredito que, por enquanto, ao invés de tentar fechar as abas da minha cabeça, eu preciso apenas dar pause nos vídeos, e ter a capacidade de tocar um de cada vez. Pra mim isso passa pelo abandono da racionalidade excessiva, e um acolhimento maior de mim mesma e das minha emoções – por mais feias que elas sejam – e uma desidentificação entre quem eu sou e os pensamentos que me surgem.

De qualquer maneira, fora do mundo abstrato das ideias, a realidade concreta bate forte como o tambor tic tic tic tic tac, e esse cérebro ansioso lida de uma maneira pouquíssimo íntima com a realidade. Na verdade, um dos motivos para esse cérebro engajar tanto nos infinitos fluxos de pensamento é escapar de realidade, e é como se, ao se perder na racionalidade, ele pudesse temporariamente se esquivar da concretude externa.