Meu coração balança tanto quanto meu ciclo menstrual

Meu coração balança tanto quanto meu ciclo menstrual. Num dia estou desolada: meus olhos não brilham mais, e sinto o mais profundo desejo de viver novas aventuras. No outro dia, ansiosa feito um cão atrás de um osso, anseio profundamente meu sangue, tanto quanto tomar uma decisão que parece ser impossível de ser tomada. Quero, não quero. Quero, não quero. Em seguida, meus ovários sentem que é hora de ter um novo filho, e preparam um óvulo. Mal eles sabem que essa opção já não é mais uma opção – um pequeno T feito de alguma fibra plástica, envolta por hormônios impedirão quaisquer vãs tentativas que eles façam de tentar gerar uma nova geração de mim mesma. Mas meus hormônios nunca saberão disso, e invadem meu corpo como fosse possível fazer eu me apaixonar de novo, pela 15º vez, pela mesma pessoa. E uma centelha firme de esperança, desejo, carinho e amor brilha completamente descontrolada. Quero de novo. Tentar de novo. Desejar de novo. Pegar na sua mão, te abraçar, cutucar sua barba e sonhar todos os nossos sonhos outra vez.
Em compensação, você é o mesmo. Como poderia não ser, em um tempo tão curto quanto alguns meros dias? Não há uma dança de hormônios e vozes ansiosas dançando livremente em seu cérebro. Não há infinitas possibilidades e realidades consideradas. Eu sempre fui corredeira brava, você sempre foi porto fixo.
Não me impede de te ler conforme as minhas lentes volúveis. Acho que você quer tentar de novo. Acho que você me ama e me quer por perto. De repente, me sinto carente e com falta de você. E sinto que por mais que eu segure sua mão, te peça beijos e abraços, eles nunca são tão completos quanto eu gostaria. Nessas horas eu queria mesmo é caber dentro do seu potinho e ser segurada e amada, apesar de toda a volatilidade.
Racionalmente, me repreendo: não tenho que caber num potinho. Volatilidade não precisa ser problema. Eu não sou um problema a ser ajustado.
Talvez essa seja a minha grande questão: você é porto. E eu queria ser o seu porto. Mas só posso ser sua água. Na tentativa de ser porto, virei aquela água parada onde a dengue se prolifera. Eu me tornei essa água parada. Eu deixei seu porto reservar minhas águas.
Será que podemos continuar? Continuar você sendo porto, e eu sendo água corrente? Amo você. Amo que você seja o meu porto. Eu só preciso ser água corrente de novo.