Como querer controle e liberdade ao mesmo tempo?

Cabeça cheia, pouca atividade. Quando minha cabeça começa a pipocar de pensamentos, poucas são as coisas que reduzem a velocidade – e voracidade – do meu diálogo interno. Muitas vezes ele se apressa tanto, que perde a forma de palavras e frases, e se torna um fluxo completamente etéreo de imaginação, atenção e loucura. As ideias não permanecem, e quase nunca consigo lembrar sobre o que eu estava pensando, ou o que iniciou uma cadeia de histórias.

Uma coisa que meu instinto de sobrevivência no caos sempre resgata, é a ideia de fazer listas, me replanejar, usar um novo método de organização. Talvez esse funcione, eu tento me enganar. Pode ser um novo bullet journal, uma agenda, um aplicativo, um punhado de papéis soltos. Nem sempre – na verdade, quase nunca – esse teste de método envolve algum tipo de compra, mas quase sempre ele envolve um novo consumo de algum serviço gratuito, ou conteúdo disponível.

Por anos e anos, usei o método de Bullet Journal (Diário em Tópicos). É um método relativamente conhecido hoje em dia, e me apoiou por muitos anos. Hoje em dia, não consigo exatamente aplicá-lo. Uso uma agenda tradicional, o aplicativo Notion, um diário para quando preciso descarregar minha cabeça, e agora o Obsidian para micro escrita, numa tentativa de diminuir meu uso de redes sociais. Cada um tem a sua função, e por mais que separadamente eles até que funcionem bem, não têm a menor comunicação.

Precisamos mesmo de uma miríade de estratégias para tentar capturar o controle das nossas vidas?

Eu, sinceramente, quando escrevo e leio essa pergunta, me retorço numa aversão profunda à essa ideia. Essa pergunta me coloca um outro questionamento: e eu quero controlar minha vida para quê?

Certamente, a resposta passaria por uma palavra que também me traz arrepios: produtividade. Entender minha vida como algo meramente produtivo me causa um profundo horror, que, conjugado com a minha desesperança na barbárie do capitalismo, me faz contorcer na cadeira.

É um modo de funcionamento completamente paradoxal: ao mesmo tempo que desejo o controle, eu desejo a liberdade. E como ter liberdade sem produzir, para reproduzir a minha própria subsistência? O que, então, é a liberdade? Como me dar condições para ter espaço para sentir meus sentimentos, viver qualquer vida que eu deseje viver, sem ser sequestrada pelo desejo do controle?

Como querer controle e liberdade, ao mesmo tempo?

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